Author: Tatyane Diniz
•13:12


****ALUCINAÇÕES****

Quem não foi para cama sem sono e com a cabeça cheia de idéias? E uma voizinha lá no fundo... quase que música. Levanta, vai realizar teu sonho, sai desse escuro e põe suas idéias em ordem! Tudo bem você venceu.


E o calor amarelado quase que vermelho pingando de seu rosto... como de supetão as idéias dão as mãos e fazem um círculo em forma de neve... mas como se agora a pouco estava tão quente e fervendo. O frio... ah o frio congela quem escreve e escuta o silêncio dos flocos de neve como se fossem renda aqui no nordeste. Mais agora eles ganham cores, infinitas cores iguaizinhas as estrelas do céu e tem um cintilamento sem igual.


Isso faz com que acalme os pensamentos... na correria da vida... pensar é um bem precioso e fazer planos para o futuro é de graça e não custa nada. Só essa maldita inquietação de pensar, pensar , pensar em quase mil coisas ao mesmo tempo... então é chegada a hora de extravasar... é como o pintor que mistura as tintas e com sua dedicação vem uma obra de arte preciosa... e a paixão dos loucos sem ninguém para amá-los.


E tudo isso é pertubador. Com a retirada do calor chega a neve derretida e nesse instante acordem: em um campo de flores espalmados ao som do vento.
(Tatyane Diniz)
Author: Tatyane Diniz
•15:00



SONHOS INUSITADOS
Ao debruçar-se na cama
Pensamentos vádios,
Passaram e levaram
Acontecimentos alucinantes.
Através do tudo e nada
Percebi vários episódios
Melancólicos e tristes.
Outrora, eu suspirei...
Alguém se aproxima
E fala comigo.
Sem razão alguma
Tentei escrever coisas bonitas,
Tentei beijá-lo como nunca
Tentei abraçá-lo,
Mas nada adiantou
Acordei... Levantei!
E ele não existia mais.


Tatyane Diniz
Author: Tatyane Diniz
•12:35

Gotas de Lágrimas!


A dor de ver uma lágrima de suor escorrendo entre os sonhos de um homem é um pecado. Pecado esse que é minúsculo... e a medida que vai caindo sobre a face ao corpo desse homem, a pele absorve e a gota desaparece em meio ao vão.


Quantas lágrimas molharam os rostos das crianças quando não se tinha comida para saciar sua fome. Essa fome matada da criançada some.


Porém vi lágrimas jorrarem do fundo do mundo e poucos conseguirem beber essa água salgada amaragada na garganta e sem sabor algum. Existe água assim? Mas quando se está com sede é preciso bebê-la como se fosse uma bebida boa para que não morra.


Ainda assim... poucos choram para acumular água e mais água... mas a fonte secou... porque o corpo sem água se tranformou.


Suas lágrimas secam quando chegam novamente ao fundo dos olhos? Ouça agora, ela penetrando na pele e sugando seu suor, assim entederá o sofrimento dela ao cair.


Tatyane Diniz Viana



Author: Tatyane Diniz
•13:18
MARINA COLASANTI

Esse foi um dos primeiros textos que li da Marina Colasanti em uma das aulas de um professor de Literatura. É de uma delicadeza de detalhes, apesar de ser uma prosa estão cheios de poesia e encantamento. Essa é a expressão da escritora sempre inspirado do pequeno para chegar ao grande... Tive a honra em conhecê-la no Festival Tim Grandes Escritores em 05 Dezembro de 2007. Não contive o encantamento e fui jogar conversa fora, acreditem ela é super simples, um sorriso nos lábios e doçura ao falar. Então contei que havia feito um trabalho na faculdade sobre ela... e que sabia quase tudo sobre sua vida e então não resisti e pedi um autográfo. E sentei-me na primeira fila do teatro, quase que enfrente a ela... rsr e foi uma delícia aquele dia... Jamais irei esquecer!!!
Quem é ela:
Marina Colasanti (1938) nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em amor; Contos de amor rasgados; Aqui entre nós, Intimidade pública, Eu sozinha, Zooilógico, A morada do ser, A nova mulher (que vendeu mais de 100.000 exemplares), Mulher daqui pra frente, O leopardo é um animal delicado, Gargantas abertas e os escritos para crianças Uma idéia toda azul e Doze reis e a moça do labirinto de vento. Colabora, também, em revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.
A Moça Tecelã
Por Marina Colasanti

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
Marina Colasanti (1938) nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei, mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em amor, Contos de amor rasgados, Aqui entre nós, Intimidade pública, Eu sozinha, Zooilógico, A morada do ser, A nova mulher (que vendeu mais de 100.000 exemplares), Mulher daqui pra frente, O leopardo é um animal delicado, Esse amor de todos nós, Gargantas abertas e os escritos para crianças Uma idéia toda azul e Doze reis e a moça do labirinto de vento. Colabora, também, em revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.Texto extraído do livro “Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento”, Global Editora , Rio de Janeiro, 2000, uma colaboração da amiga Janaina Pietroluongo, da longínqua Oxford.