

FLAGELO SECO 

Perdidamente em seus olhos
A luz intensa de te amar.
Eu me perdi...
Perdidamente em seu amor
Colorido de beleza e harmonia.
Eu me perdi...
Perdidamente em seus carinhos
Almejando nos beijos a tua delicadeza.
Eu me perdi...
Perdidamente entre a poesia
Uma fala vida e outra eternidade.
Perdidamente em seus caminhos
Observamos o eclipse sangrando ao sol.

A CADA PASSO
EM TODO COMPASSO.
SEMPRE HÁ UM ATRASO
QUEBRADO NO VASO.
A PINTURA DO AÇO
SOLDADA COM LAÇO,
DE FITA DA MENINA QUE FAÇO.


Na cor pálida de verão uma moça negra, de pele chocolate destacava-se com seus olhos amendoados. Em passos quase que remando ela saia para trabalhar . Trabalho esse meio insignificante , desumano. O seu chefe, chefe não, um homem mesquinha. Era tão rude e grosseiro que sua voz permanecia nítidas na cabeça da moça. Explorava a tanto ... ela trabalhava todos os dias da semana. Apesar de sua beleza física tinha problemas dentro de si mesma.
Nenhum ser humano aguentaria aquele trabalho sórdido , cruel. O que seu chefe queria era explorar aquele ser escuro, quase preto. Tirando-se a última gota de sangue que restava para provar que é igual aos outros também. A vida é que foi um tanto madrasta.
Vamos por partes. Em meio ao desencontro da esquina da vida de seu trabalho ela conhece H.M. Sim essas são as iniciais de seu nome e não disse mais nada, apenas H.M.
Deixando-se sonhar um pouco aquelas iniciais H.M de: homem misterioso, mágico, mentiroso, musculoso, marginal, malvado, maníaco e mascarado. Depois de todo esforço arrebatado era inútil, acabou voltando pra casa e fitou fixamente o cartão que havia recebido dele.
Mas o que o H.M era então? Como posso explicar ... Ele é... É melhor não falar, outro dia te conto!
Uma tarde vi a moça parada esperando sua clientela na rua do meio, falando só. E falando ao vento porque uma mosca insignificante como sua profissão lambia-lhe. Ah, que nojo! A reação dela ao ver aquela mosca asquerosa... sabia por quantas imundices ela havia passado. Mexeu rápido as mãos no intuito de espantar a mosca, mas ela insistia por um afago seu.
De repente ela lembra do dia anterior a esse em que o H.M fez ao se despedir dela. Ele beijou a no canto da boca. Que estranho, tantos lugares para acariciar aquele corpo moreno e a boca da moça era o preferido da mosca.
E de súbito abriu sua bolsa e lembrando do cartão ofertado pelo homem que no verso dele estava escrito:
"Quando uma mosca tocar os seus lábios, serei eu beijando você.
Seu eterno,
H.M".



Vale apena ler os poemas dessa grandes escritora portuguesa... a delicadeza, nostalgia estão presentes em seus versos mas um tanto triste!!!
SAIBA MAIS SOBRE ELA:
Biografia
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.
Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.
Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.
Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.
O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.
Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade.
Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.
Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.
Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.
Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.
Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.
No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.
Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.
http://purl.pt/272/2/index.html
http://www.torre.xrs.net/
Coleção “A Obra Prima de Cada Autor” – Editora Martin Claret

Mesmo se tentasse explicar qual o significado da palavra amor jamais se esgotaria... Assim como as gotas do mar revolto.
Ame sem Medo ou Vergonha...
Apaixone – se hoje, amanhã e eternamente

Papéis coloridos



Fábio Jr
Composição: Fábio Jr.
Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estarAh! Ah! Ah!...
Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é maisMuito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...
~~*~~ Pai de Verdade ~~*~~


Ao debruçar-se na cama
Pensamentos vádios,
Passaram e levaram
Acontecimentos alucinantes.
Através do tudo e nada
Percebi vários episódios
Melancólicos e tristes.
Outrora, eu suspirei...
Alguém se aproxima
E fala comigo.
Tentei escrever coisas bonitas,
Tentei beijá-lo como nunca
Tentei abraçá-lo,
Mas nada adiantou
Acordei... Levantei!
E ele não existia mais.


