Author: Tatyane Diniz
•00:51

Clara

(Tatyane Diniz)

Era uma vez uma menina branca da cor do leite que ela bebia todos os dias. De um tom pálido adorava passear na praia, mesmo que a cor descorada dela fosse queimada pelo sol. Alva como as espumas do mar que molhavam seu corpo misturando-se com a total brancura da epiderme. E que apesar de sua doçura contagiante parecia açúcar de confeiteiro em bolo de aniversário. Identificava-se igual às outras crianças e não a deixaria de ser porque a cor branca decompõe as demais cores.
Como de costume, sua mãe escura levava a garota clara para a casa de sua avó. A vovó rosa trabalhava na feira-livre da cidade aos domingos. Dia perfeito para reunir os netos e fazer aquela festa. Crianças de muitas cores correndo pela casa para ver quem dava o primeiro abraço na vovó morango e em troca recebiam o que ela trazia na sua cestinha: frutas, verduras, sucos, refrigerantes, pipocas, doces etc, afinal, tudo que um ser pequeno gosta, agradando-se assim neto por neto.
Um dia a garota do branco do ovo recebeu da vovó rosada uma fruta gostosa, a banana. Não que ela nunca tivesse comido essa fruta, aquela era especial e mágica. Nos domingos sempre comia mais e mais. E de repente, notou que um pontinho preto fazia parte do cenário da pele agora. Imagine um copo de leite com uma mosca caída dentro desse líquido? Durante toda sua existência fora branca de sinais e que à medida que saboreava a fruta, símbolo da alimentação dos macacos fazia sentido naquele exato momento. Perdeu a conta de quantas pintas enfeitavam seu corpo.
O que a menina cal não compreendia era o porquê da mãe cor de café quente que também comia banana não possuía pinta alguma. Vai ver é a maldade estampada pela tristeza de seu sorriso. Como, se a vovó rosa bebê e tão delicada e alegre?
A mãe cor de chocolate meio amargo é viúva e desde que o pai da menina translúcida morreu, a vida dela não tinha o colorido do arco-íris.
Embora, a mãe petróleo não conseguisse sorrir, era a vovó rosinha que preenchia os espaços vazios brancos não escritos que ainda restavam da pele da criança. Entendia que depois de tanto tempo que esses pinguinhos escuros minúsculos eram lágrimas da mãe. Apenas não queria suportar a idéia que as gotas de carvão da mãe pintasse seu corpo por inteiro. Porque as marcas da menina do branco do olho estão tatuadas para sempre no corpo da menor, dentro do coração.

17-03-08.
Author: Tatyane Diniz
•18:46

MAR MORTO
(Tatyane Diniz)

Mergulha no seu interior
Busca a profundidade
Que é teu ser.
Agarre-se aos destroços
Do naufrágio...
Sufoca todo ar,
Respira os peixes e
Mentalize onde está
Aquela paisagem,
Mesmo sem oxigênio,
É fácil lembrar.
Outrora, afogue-se
Deixe as ondas te levar
Não se arrependerá.
25-09-98.


Author: Tatyane Diniz
•22:29

CANTIGA DE AMIGO (Tatyane Diniz)

O amigo leal foi nadar no fundo,
Disseram os peixes que o achasse ao mundo.
Ah, ondas, beijem-me os pés!
Afoguem-me, e não falo quem és!
~~*~~
Que o achasse ao mundo disseram os peixes,
O ar valente movem as águas feixes.
Ah, ondas, beijem-me os pés!
Afoguem-me, e não falo quem és!

~~*~~
O ar valente movem águas ao mundo,
Quando alegre, ele saiu do fundo.
Ah, ondas, beijem-me os pés!
Afoguem-me, e não falo quem és!
~~*~~
Quando alegre permaneceram feixes
do fundo sai ele, choram os peixes.
Ah, ondas, beijem-me os pés!
Afoguem-me, e não falo quem és!

08-09-07


Author: Tatyane Diniz
•21:42
Ei, segunda observei que a manhã se
apaixonou pela tarde... mas a tarde é apaixonada pela noite.
E por conseguinte a noite ama a madrugada que gosta da manhã!
Que confusão de sentimentos... Preso está o dia... tanta oscilação?
Um ciclo... uma verdade... uma cor e um nome.
(Tatyane Diniz) 16-03-08
Author: Tatyane Diniz
•21:57
Depois de algum tempo sem postar meus escritos...
Ontem... deixei marcas preciosas no entardecer do sol.
Quantas palavras joguei no ar... liquidificadas de fervor.
A escrita faz parte dessa primavera... não se pode compreender,
Porque inside nesse querer... quase promíscuo... encantador.
Míseras tolices repugnadas no chão!
e agora, tu recolhe-as nesse instante de euforia?
A vontade de escrever é comparada ao despedir de Sol...
na insistência de promover sempre sua volta,
por mais que não estejas vivo.
(Tatyane Diniz)
15-03-08






Author: Tatyane Diniz
•23:15
E sigo neste tempo... tempo que não passa de um tempo! Ele perdido vago pelos cantos da designação do velho comparado ao novo pensamento. E neste instante de tormento, chega o vento levando tudo, tudo que é pensamento.
Outro dia ele chega sorrindo misturando-se ao lamento... triste... quase sem cor... transbordando de fitas coloridas com misturas trazidas pelos ventos dos pensamentos.
(Tatyane Diniz) 18/02/08.
Author: Tatyane Diniz
•10:58
O que o homem precisa pra ser feliz?
Nada... Primeiro é que ele sobreviva com esse salário de cão e que o governo lhe dê esmola achando que ele é o Deus, o melhor!
Cansei da sandice, desrespeito com o proprietário chamado Homem.
08/01/08. (Tatyane Diniz)
Author: Tatyane Diniz
•14:13
MUNDO
(Tatyane Diniz)
Sem proibição alguma
Te querer, gostar e adorar
Por tudo neste mundo,
Sinto como é bom te amar.
Estou feliz que você exista
Chegou devagar a me conquistar
Tudo porque faz do meu mundo
Um lugar cheio de carinho
E felicidades veio me dar.
Author: Tatyane Diniz
•13:39

REFLEXO

(Tatyane Diniz)

Assim que descobrir a verdade das coisas e esconder as mentiras atiradas no lago... não importa, alguém vai ferir seus conceitos, suas pelegrinações, seus anseios até mesmo sua dignidade. Esse é o ciclo de uma série de anarquias praticadas pelo homem, descer... subir... e não enxergar a verdade... Fingimos não olhá-la... para não sermos atingidos de surpresa. Mesmo assim, continua-se vivendo, vegetando, não olhando para dentro de si, fechando-se... quase que se acabando e deixando de existir.
14/02/08.
Author: Tatyane Diniz
•09:50
SOLIDÃO
(Tatyane Diniz)

Horas vazias e claras,
Sem nenhuma ocupação
Várias noites perdidas,
Sozinho apenas com o coração.
~~*~~
Solitário entregue a vida
Sentindo dor e solidão.
Em um canto sente-se esquecida,
Às vezes grandes ou não.
~~*~~
Estarei sempre imaginando
Em cada lágrima uma esperança
O que poderás estar pensando,
Naquela enorme lembrança.
Author: Tatyane Diniz
•09:18

OLHOS DE SOFRIMENTO
(Tatyane Diniz)
Eu vi um rosto triste,
Eu vi uma lágrima
Cair dentro do mar.
Eu vi o mundo me usar.
E tive a noção do enigma,
Porém, retirei-me a andar.
Eu vi a calamidade tomar
Conta da imensidão
Do meu olhar.
Pereças, querem me afogar.
Socorro! Chamem o salva-vidas,
Porque o mar não é rosto e
Meus olhos estão cansados
De tanto se lamentar!
Author: Tatyane Diniz
•10:25


MICROFONIA
(Tatyane Diniz)

Ouço sua voz
Num campo límpido.
Cercado de dúvidas,
Gritando meu nome,
Ouvindo várias vezes
Dizendo me amar;
Entrego-me ao desespero,
Fecho meus olhos...
Não saí sai de mim.
A voz rouca a falar:
- Eu te quero aqui!
Arrepios de tormento,
Seus fantasmas andam
Deixando um ar de euforia.
Despedindo-se... rindo e
Morrendo aos poucos em mim.

20/05/99
Author: Tatyane Diniz
•23:28

ADEREÇOS
(Tatyane Diniz)

Rabiscos de areia, terra
Sol, vento e mar.
Presa entre a rede do pescador
Sou pescada por um sonhador.
Peixes dourados encantados
Numa canção de ficção.
Loucura descritas todas
À vezes que o rio
Namora com o mar.
Um dia a de se separar.
Desde agora outros tubarões
Barram os paredões
Do velho navio naufragado.
Servindo de turismo,
As maravilhas que o homem
Sempre irá desmatar.

20/05/99
Author: Tatyane Diniz
•12:31
PRESSÁGIO
(Tatyane Diniz)
Acordei...
A sombra da solidão
Na penumbra da morte.
Avisou-me desce de princípio,
Não quis ouvi-la.
E perdi a noção.
O pesadelo arruinou...
Mais tarde chovia,
Em flores rasas, me via
Molhada entre o orvalho
Enervamento entre as folhas
Ah! Loucura insânia...
Procurei-te em todos os lados
Encontrei-o, seco em meu coração.
20/05/99
Author: Tatyane Diniz
•13:42

VOZES
(Tatyane Diniz)

As mínimas palavras
Que escuto alguém pronunciar,
São de plenas recordações
Compulsivas de um amor.
Sem a cumplicidade de
Exercer meus sentimentos.
Nunca por momento algum
Se importou em saber
Como fiquei depois da tempestade.
Foram lágrimas rolando, ao se
Misturarem em decepção...
O silêncio, é meu amigo,
E a minha voz
Meu eu lírico.
De palavras e versos
Compondo ideologias para,
Entender porque muitos
Falam de você!



Author: Tatyane Diniz
•23:03
DESABROCHA UM AMOR
(Tatyane Diniz)
Vários botões de rosas
Podem desabrochar
Um dia e murchar.
E ver que toda aquela beleza
Tenha se transformado
Em algo tão machucado.
Fazendo alguém sofrer e,
A beleza por sua vez
Era premeditada, acabaria.
A verdade é que para
Amar alguém é preciso
Admirar e ter auto-confiança.
Só assim eu poderia
Distinguir o amor!
Existe um jardim inteiro
Onde entrarei e me encantarei,
Pela melhor rosa:
Cheia de carinho,
Vermelha como o amor,
Linda e sincera que ninguém
Trairá meu amor.
Acordar nos verdes dos olhos,
Falando a linguagem daquela,
Belissima paisagem transformada
Num vale de felicidades.
Eu vou encontrar-me contigo,
Perfumada pelas pétalas
De seu amor
Tirando os espinhos do
Nosso caminho que nos
Impedem de sermos felizes.
Author: Tatyane Diniz
•16:54

HARMONIA DO SORRISO
(Tatyane Diniz)
Olhei triste para
O negro sorriso dos
Olhos molhados de incerteza.
Uma fantasia...
Merecimento de teimosia
Era ela nossa esplendida:
- Harmonia.
Fazia parte de um quadro
Dia úmido e nublado.
Mas nem todos tinham visitado,
Seus domínios foram apoiados
Por pura incompetência perderam
Vários sorrisos morreram;
E não a conheceram.

Author: Tatyane Diniz
•13:42

ALÉM DO CONTATO
(Tatyane Diniz)

Minuto após minuto,
Alimento, delicio me
Meu pensamento.
Voltado ao seu nome
Origem e extremidade são um só.
Sem obstáculos
Verei sua personalidade.
Sensor íntimo.
Nascem comemorações,
De quê?
Ninguém te fala.
Eí, eí!
Feche seus olhos,
É provável imaginar
Que conseguirá amá-lo .
Olhos de vidro.
Visão refratária, machucar.
Pupila dilatada,
Preciso distrai-lo.
Para que ninguém
Venha apagá-lo,
Do meu pensamento.
31/08/98
Author: Tatyane Diniz
•22:49
FLAGELO SECO
(Tatyane Diniz)

Renego minha vida.
Desfruto de um amor que
Nem existe e chupo este fruto amargo.
Me dá prazer ao semear,
Flores secas de laranjeiras.
Bagaços numa esperança,
Cresce em mim, meu corpo...
Mãos calejadas... face triste.
Mente cansada da estação.
Hora que não passa,
Tempo que não chega,
Ano que marca até o fim.
Folhas verdes na tempestade.
Fazendo cósegas por raiz.
Prefiro estar distante.
E acabar em um deserto seco,
Por enchentes o sertão semear.
23-05-99
Author: Tatyane Diniz
•18:41

CONSEQUÊNCIAS
(Tatyane Diniz)

Aos limites de um sonho
Nunca serás impossível de acontecer.
A distância... ingrata, fez com que me afastasse de ti.
Mas não adiantou,
O novo sol surgia iluminando.
As lembranças deixadas por seu amor.
Embora a saudade molhada...
Perante a razão debruçada
Sobre a ilusão dos olhos...
Mereces mais que amor,
Precisas ser amado.
Que o amor dos anjos
Ande junto com seu sorriso.
Trazendo fiéis e fortes alegrias
Em sua vida.
Um dia tenta compreender
Porque eu te amo e
Não me pede meu amor
Pra te esquecer.
05-03-99