(Tatyane Diniz)



PRESSÁGIO 


FLAGELO SECO 

Perdidamente em seus olhos
A luz intensa de te amar.
Eu me perdi...
Perdidamente em seu amor
Colorido de beleza e harmonia.
Eu me perdi...
Perdidamente em seus carinhos
Almejando nos beijos a tua delicadeza.
Eu me perdi...
Perdidamente entre a poesia
Uma fala vida e outra eternidade.
Perdidamente em seus caminhos
Observamos o eclipse sangrando ao sol.

A CADA PASSO
EM TODO COMPASSO.
SEMPRE HÁ UM ATRASO
QUEBRADO NO VASO.
A PINTURA DO AÇO
SOLDADA COM LAÇO,
DE FITA DA MENINA QUE FAÇO.


Na cor pálida de verão uma moça negra, de pele chocolate destacava-se com seus olhos amendoados. Em passos quase que remando ela saia para trabalhar . Trabalho esse meio insignificante , desumano. O seu chefe, chefe não, um homem mesquinha. Era tão rude e grosseiro que sua voz permanecia nítidas na cabeça da moça. Explorava a tanto ... ela trabalhava todos os dias da semana. Apesar de sua beleza física tinha problemas dentro de si mesma.
Nenhum ser humano aguentaria aquele trabalho sórdido , cruel. O que seu chefe queria era explorar aquele ser escuro, quase preto. Tirando-se a última gota de sangue que restava para provar que é igual aos outros também. A vida é que foi um tanto madrasta.
Vamos por partes. Em meio ao desencontro da esquina da vida de seu trabalho ela conhece H.M. Sim essas são as iniciais de seu nome e não disse mais nada, apenas H.M.
Deixando-se sonhar um pouco aquelas iniciais H.M de: homem misterioso, mágico, mentiroso, musculoso, marginal, malvado, maníaco e mascarado. Depois de todo esforço arrebatado era inútil, acabou voltando pra casa e fitou fixamente o cartão que havia recebido dele.
Mas o que o H.M era então? Como posso explicar ... Ele é... É melhor não falar, outro dia te conto!
Uma tarde vi a moça parada esperando sua clientela na rua do meio, falando só. E falando ao vento porque uma mosca insignificante como sua profissão lambia-lhe. Ah, que nojo! A reação dela ao ver aquela mosca asquerosa... sabia por quantas imundices ela havia passado. Mexeu rápido as mãos no intuito de espantar a mosca, mas ela insistia por um afago seu.
De repente ela lembra do dia anterior a esse em que o H.M fez ao se despedir dela. Ele beijou a no canto da boca. Que estranho, tantos lugares para acariciar aquele corpo moreno e a boca da moça era o preferido da mosca.
E de súbito abriu sua bolsa e lembrando do cartão ofertado pelo homem que no verso dele estava escrito:
"Quando uma mosca tocar os seus lábios, serei eu beijando você.
Seu eterno,
H.M".











