Chuva de primavera!
É tão bom ficar quietinha em casa ouvindo o barulho da chuva que cai lá fora... Lendo um bom livro e como já cantava Djavan.... "um dia frio um bom lugar pra ler um livro e o pensamento lá em você". Hum, tem sido assim... desde o verão, inverno, outono e estamos na primavera... flores pelo chão ápos uma chuvinha gostosa e aqui se dá ao luxo de dois dias assim bem fresquinhos... melhor que o calorão que tanto faz em minha cidade! Aproveitei bastante e também curti minha fossa sim, e daí? Tem dias que nem percebo a beleza do dia... quem sabe no próximo verão eu cante uma melodia melhor mas a de hoje é a do Maurício Manieri: "quando o inverno chegar eu quero estar junto a ti... hoje o céu está tão lindo, vai chuva!!!". Ah, como me fazes falta... essa música lembra nosso encontro! Estavámos tão felizes que pareciamos dois adolescentes descobrindo o amor pela primeira vez... e foi doce como que namora um namorado vermelho de paixão. Te amo!
(Tatyane Diniz)
Acordei de madrugada e olhei no relógio: 3:48 da manhã. Não sei o que houve... lembro me que acordei em meio de um sonho febril, mágico e que por valor algum revelo! Acordei com uma sensação de esperança em meu ser. Calçei as sandálias rosas e fui ao banheiro e logo depois deite-me na cama na esperança de reviver ou continuar o sonho. Quem disse que consegui dormir? Ascendi a luz novamente do abajur... Indaguei porque eu tivera um sonho assim? As pessoas deveriam ter um dispositivo para esquecer quem amamos um dia. Não tive outra escolha a não ser chorar pelas perdas que "ganhei" não sei se essa é uma palavra certa e também não sei porque acordei assim triste de olhos lavados. O que eu quero é tão pouco, tão significante pra mim! Encho-me de uma melancolia ultrapassada. Vivendo de lembranças, de risos, de fotografias desenhadas, de passado mal curado. Tento ser forte em meio a essas perdas... pessoas que amei e que ainda continuo a amar. Se vai dar certo ou acabar sinceramente eu não estarei preparada pra isso. Será um pesadelo e desse eu faço questão de acordar. Há momentos em que estimo sua presença comigo... mas fizeste questão de se ir embora de meus sonhos... fazes muita falta para preencher minhas lágrimas de tristeza em alegria. O pior de tudo é que ainda te amo!
PERSONAS(Tatyane Diniz)
PEÇAS
Primeiro uma vez... depois a segunda e ...Quando me ver novamente...
Estaremos embalsamados...
Amando novamente...
O tempo lava as indagações, os medos...
Os anseios e principalmente essa ânsia
De bloqueios existenciais!
Por isso aproveito a brisa
Para com ela "ESTAR".
Refresca-me... vem, cada vez mais!!!
(tatyane Diniz)

Personalidades opostas!
Como conviver com um bipolar?
Ainda não sei ao certo do que se trata sobre isso.
Talvez um psiquiatra possa me orientar melhor.
"Coisas que eu sei"...
Será que sei?
Se todos não fossem iguais a você eu já teria desistido!
Há algo que me impulsiona até sua ausência...
Por quê???!!!
Tento entender esse claro e escuro que existe entre agente!
Que barroco!
Eu já te vi sorrir antes... mas também já te vi chorar!
Já foi super héroi em uma de suas aventuras.
E hoje... eu não sei o que é e quem é!
Sinto falta do outro feliz... cheio de planos
Para o futuro e agora já nem sei quem quer ser de verdade!
"Fugir não vai adiantar!!!"
Eu não vou deixar que te tirem de mim!
Vou lutar para estar ao seu lado!
Tudo vai passar!!!
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Vestígios(Tatyane Diniz)
Crônica do AmorNinguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim.Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


Coração Partido"Chorar é a melhor maneira de colocar para fora tudo aquilo que nos incomoda".
Era uma manhã de novembro quando abri minha caixa de lembranças e o vi parado olhando pra mim. O tempo foi diferente naquele instante, o homem saiu da caixa de papelão. Começei a observar os seus passos e começei a segui-lo, igualzinho a Alice do país das maravilhas atrás do coelho branco. Achei que estava ficando louca.... fechei os olhos e o vi correndo... sem se despedir ou falar comigo direito. O homem que eu havia guardado em meus segredos agora ganhava corpo e forma. Quem dera eu tentasse que ele parasse de correr... Foi aí que tudo começou: eu não dei tempo dele se apresentar... de esperar mais por ele, ah tolices o que penso agora!!! Fiquei sabendo através da Rainha de copas que ele foi embora e que nunca voltará para a minha caixinha de sonhos. Para a minha vida de faz de conta era tão bom vê-lo comigo, mas ele precisava da liberdade para poder compreender que o mundo sem cor é igual a um filme do passado. Portanto ele preferiu algo mais cheio de cor. Toda vez que olho para bem dita caixeta eu recordo: "Infelizmente, não existe um remédio instantâneo que nos faça parar de sofrer. O único remédio é o tempo, que vai delicadamente acariciando nossos corações e apagando as mágoas, até que elas se tornem apenas pequenas e quase imperceptíveis marcas em nossos corações".
Assim eu fiquei desde que não tive mais notícias do meu homem retirado de fotografia e posto que nada posso fazer para ele voltar a ser como antes. O meu coração está tirando férias... bate triste mas isso vai passar porque haverá outros personagens que precisam de uma boa leitora ou devoradora de histórias. Tudo está cinza mas espero no Sol e na Chuva um sonho de verão com primavera e um outono feliz de novo em mim.
"Sorria, embora seu coração esteja doendo...
Sorria, mesmo que ele esteja partido".
(tatyane diniz)

O que importa?
Deixe a porta aberta... a sua presença
Esperta em tudo voltará!
(Tatyane Diniz)


Música: O Teco e a Preta
(Composição: Tatyane Diniz e Dharma Moraes Alves)
O Teco e a Preta foram passear.
A Preta falou: Teco vem pra cá!
E o Teco veio com o rabinho
Balançando: Chá chá chá chá!
O Teco e a Preta foram passear.
O Teco e a Preta foram passear.
A Preta arranjou um namorado Preto.
E o Teco coitado ficou chupando o dedo.
O Teco e a Preta foram passear.
O Teco e a Preta foram passear.
O namorado Preto da Preta disse:
- Preta, eu não quero namorar!
O Teco e a Preta foram passear.
O Teco e a Preta foram passear.
O Teco chamou a Preta:
- Querida, eu não sou careta!

P.S.: Sabe aqueles dias em que temos uma fusão com seres iluminados por Deus e cheios de ternura? Foi nesse dia que foi realizada essa composição. Saudades de minha pequena pessoinha admirada... te adoro criança encantada, Dharma! beijos!!!


Composição: Luiza Possi e Dudu Falcão

Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei
Que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente...
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba...
Mas nada vai
Conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem...
Mesmo com tantos motivos
Prá deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta prá casa...
Essa letra resume tudo. Amores, quem nunca os teve? Mas insisto para vocês a felicidade está atrás do muro, por favor pulem. Decidam o que é melhor pra vocês antes que seja tarde!

Mesmo se tentasse explicar qual o significado da palavra amor jamais se esgotaria... Assim como as gotas do mar revolto.
Ame sem Medo ou Vergonha...
Apaixone – se hoje, amanhã e eternamente
Sobre a ponta da faca.
E até mesmo me perdi nas linhas
de minha inocência...
Tentei segurar o máximo que pude
na certeza de não apagar o instante
perfeito e sensacionalista de minha vida!
Escutei o coaxar dos sapos, quanta harmonia.
Uma chuva fina que começava fraquinha quase
que sem forças e que passado alguns minutos
ela aumentava e encharcava a grama do jardim.
Fiquei alguns minutos vendo o Sol ir embora mesmo sabendo
que ele voltaria... mas nunca seria o mesmo porque ele
tinha personalidade e eu o entendia, claro!
Mesmo tentando evitar que nenhum momento escapasse
de meus sonhos e de minhas realidades ali sentidas...
É que me encontro perdida por esse sentimento,
que por quase toda minha existência pudesse
compreender... é a saudade que vai ficar agora
sim a saudade de reviver através de sonhos
ou de poesias que eu fiz para preencher a dor
que um amor pode deixar mas nunca desaparecer.
Ah, não, a faca acabou de escapar de meus dedos.
A dor não é a mesma que sinto por você...
É uma razão que prende meus lábios
e não tem explicação.
RASOSobre
RosoSuper
NOSSOSegredos
(06/01/2009)


(Tatyane Diniz)
Meu guarda-chuva!?
Não quero guardar a chuva!
A Chuva é que me guarda!
Passarinhos de gotas molhadas
Nas poças espalhadas
Um véu cristalino na retagurada!


Um animal (Tatyane Diniz)
Devora a presa
Como se fosse
O melhor banquete
Que já havia comido.
Saciada a fome
Vai para sua toca.
Passa dias sem se alimentar.
Vai a floresta novamente.
E de repente, outra presa.
O que ele fez?
Não faço a menor idéia.
Ele a prende em seus caminhos
Alimenta a de doçura.
É chegada a hora do jantar...
Ele a comeu?
Hum, como ela é gostosinha!?
Apesar da vontade em saciar sua fome
O animal começa a
Lambê-la por inteiro.
E em seguida... tira a da sua toca.
Mas a presa ao ver a liberdade
Necessita do animal para nutri-la
Da mesma forma que a fera.

Tatyane Diniz
Encantada!Hum... viver suspirando!!!!
É, faz sentido entender porque a alma humana
é tão feita pelo avesso.
Imagina se conseguissémos ser desenhos...
Talvez esteja delirando ao olhar a lua da minha janela.
Que é tão cheia como o sonho da padaria perto de casa.
Os homens e as mulheres poderiam ser mais subjetivos.
Trocariam mais carinhos e visitariam-se com mais frequência.
Pois bem, acordo com um balde de água fria...
Ahhhhhhhhh nãoooooooo você de novo!!!
Querida.... acorda!!!
Vai perder a hora do trabalho.
Amor!
Justo agora que o príncipe
Iria me beijar e sermos felizes para sempre!
Moral da estória: No caminho de nossas vidas
Precisamos dos sapos para encarar a realidade.
Já ia me esquecendo... esqueci de meu sapatinho de cristal!
Tatyane Diniz
A máscara da sombra (Tatyane Diniz)
Recados Especiais!!!
O meu amor por você
É igual ao seu por mim.
Nem metade nem inteiro.
Ambos nos completamos
Não existe fração!
Para as coisas do coração.
Quem sou eu?
Alguém de carne e osso buscando a cada dia ser eu mesma. Ainda não consegui trilhar uma composição de como uma pessoa possa ser. No teatro da vida há muitos disfaces. Use o seu: Seja sempre você!
Te amar é viver... é sorrir e entender que nossas vidas fazem sentido porque encontramos o amor!
Tatyane Diniz
Ouvi mais uma vez que o vento cantarola suaves melodias que visam acariciar minha dor. Abro a cortina do passado e você continua lá, dormido em minha memória infantil. Gritos de silêncio atormentam a vida, vida essa que não tem sentido... mais uma vez eu abro a cortina, quem aparece, é o reflexo do outro estarrecido pelo passado. Por mais amarelo, mofado e sombrio... Ele presencia a dor, toca de leve o rosto, aperta o peito e consegue fazer com que algumas gotas de sangue saim de sua face. É tão intensa... que pede-se para calar a fina gota... mas ela esquece que a dor é isso... não cessar enquanto se vive.Tatyane Diniz
(Tatyane Diniz)
Amo te como um louco,
a procura da certeza de tudo que não é racional.
Amo te como um estudante,
a busca do próprio conhecimento
de si e dos outros.
Amo te como uma mãe,
a velar pelos dias doentes.
Amo te como um professor,
a não dá aula e sim ensinamento.
Amo te como um pai,
a gostar de futebol e incentivá-lo "no time".
Amo te como amigo,
a que sempre poderá contar.
Amo te como irmão,
a doar sangue ou correr atrás do
seu para salvá-lo.
Amo te como princesa,
a mostrar que os contos de fadas
existem nesse mundo comtemporâneo.
Amo te mais ainda como namorada...
a estar presente em sua vida
preenchida de amor e alegria!
Que não tem tempo nem hora marcada.
Não importa... nada importa
o que sinto por ti é mais forte que
qualquer "tipo de amor".
É uma doação, uma entrega sem fim
um sentimento que vai além de mim.
Que deixa me assim:
completamente fora de mim!
Te amo!
(Tatyane Diniz) 18/08/2008-22:21
Alguém passou por ali,
Existem marcas até no orifício
Na marca pregada no pé.
Um homem sem ensinamentos
Louco para saciar sua sede
De ressentimentos,
Explora a pobre menina
Falecida... na areia da praia!
E só se escuta o som do mar,
As ondas chegam até os pés daquela
Pobre infeliz... esquecida.
Mas o homem loucamente
Acolhe em seus braços
Corre para o mar!!!
Lança rosas com a menina
Deita-se ali... espera-se
que o mar a leve
para junto... no fundo
do coração do oceano.
Onde se transforma
em sereia renascida pela areia.
(29-07-2008)

Dias de Chuva! (Tatyane Diniz)As gotas escorrem vagarosamente
Pela janela da sala.
Pingos suaves
Doces de inverno.
Ruas vazias... um ou
Outro sinal de luz na
Escuridão do frio.
A luz no fundo,
Um olhar distorcido...
E que raramente se ver as
Poucas nuvens aqui no céu.
O silêncio encanta a paisagem
Tomada de puro sossego.
(21/07/2008)

Longe de casa (Tatyane Diniz)
A estrada é infinita,
Mochila pesada.
Costas macias na
Contra-mão da esquina.
Jogo sujo...
Cortina de flores
Seu pérfume exala
Os poros de sangue.
Da menina que
Balança-se na árvore
Seca... gelada.
Os sonhos... os segredos
Trancados numa caixa
Suja, intocada,
Quase que transparente.
Ao abri-la ela devolve
Toda a podridão.
A menina que brincava na árvore
Expulsa o egoísmo de seu coração.
(20/07/2008)
Ainda que tentasse decifrar os enigmas da vida, talvez fosse preciso ser mais real. Por mais insignificante que seja, essa é a tarefa do ser humano. Cada sol que ilumina a estrada passa a ser tão imoral, tão mesquinho que não dá para avaliar nada. Os troncos das árvores mais uma vez serão queimados e novamente mais almas serão aquecidas neste inverno. Queima-se uma árvore ou esquenta-se um coração gélado, frio e esquecido pela natureza...? Essa tarefa se faz necessária porque embora louca a natureza em cercar de frio... gelo... a água segue e transforma-se em seu estado inicial: retornando ao seu ciclo sem culpa alguma!
FALANDO COM AS ESTRELAS (Tatyane Diniz) 
Era tão esplendida e magnífica aquela manhã. Não era uma manhã do dia-a-dia. O amanhecer nutria o seu jardim. Ela tinha uma verdadeira adoração por cravos vermelhos, amarelos, rosos e laranjas. Entendia que cada cravo nos reserva um ensinamento, ou melhor, nos desperte a sensibilidade.
Há aqueles que destacam-se na natureza pela exuberância das cores, mas seu substantivo é ser cravo, não importa.
Por isso, colha agora, não deixe que a noite o faças perecer. Sinta a emoção fluir no prazer que ele irá te proporcionar.
(21/05/2007)
A LÍNGUA LIGA MINHA FALA NESTE CONTEXTO UNIVERSAL. PORÉM, PREFIRO SER INDIVIDUAL!
\0/¨¨ \0/¨¨ \0/¨¨\0/¨¨\0/¨¨ \0/¨¨ \0/
COM A CANETA ME ENTENDO
O PAPEL SENTE A SAUDADE.
O CARINHO AO ENVIAR
MANDAR MEUS VERSOS A TI,
CANTADOS EM LUAR.
MOLHADOS DE DÚVIDA
INSEGURANÇA EM AMAR.
AMASSADO, AMARELADO
AS PALAVRAS NÃO PODEM
SE DESMANCHAR.
FATOS ÍNTIMOS AO LEITOR
SOU RECEPTOR , A POESIA.
CHEGA DEPRESSA A NOTÍCIA...
BEIJOS SOBRE A CARTA,
MINHA ÚNICA ESPERANÇA
É ABERTA EM SUAS MÃOS,
DEVOLVA-ME POR FAVOR, A RESPOSTA
E NÃO ESQUECE, ANSEIO DE EMOÇÃO.
(08/10/98)

POR QUE?
A CADA DIA QUE PASSA...
ME CONVENÇO QUE A DOR TEM FARSA,
AQUI, SENTADO NA PRAÇA
TOMANDO ANALGÉSICO DE GRAÇA!
Bebida (Tatyane Diniz)
Poder!Dois corpos que se encaixam...
Duas bocas que se beijam...
Dois corações que se batem...
Dois orgãos que se desejam...
Duas mãos ao dobro que se tocam simultaneamente...
A chegada de mais uma vez sem entregar-se a nada...
Apenas ao prazer de ambos e sentir que sem isso
Não faz sentido praticar o amor!
06/04/08.

Era uma vez uma menina branca da cor do leite que ela bebia todos os dias. De um tom pálido adorava passear na praia, mesmo que a cor descorada dela fosse queimada pelo sol. Alva como as espumas do mar que molhavam seu corpo misturando-se com a total brancura da epiderme. E que apesar de sua doçura contagiante parecia açúcar de confeiteiro em bolo de aniversário. Identificava-se igual às outras crianças e não a deixaria de ser porque a cor branca decompõe as demais cores.
Como de costume, sua mãe escura levava a garota clara para a casa de sua avó. A vovó rosa trabalhava na feira-livre da cidade aos domingos. Dia perfeito para reunir os netos e fazer aquela festa. Crianças de muitas cores correndo pela casa para ver quem dava o primeiro abraço na vovó morango e em trocar recebiam o que ela trazia na sua cestinha: frutas, verduras, sucos, refrigerantes, pipocas, doces etc, afinal, tudo que um ser pequeno gosta, agradando-se assim neto por neto.
Um dia a garota do branco do ovo recebeu da vovó rosada uma fruta gostosa, a banana. Não que ela nunca tivesse comido essa fruta, aquela era especial e mágica. Nos domingos sempre comia mais e mais. E de repente, notou que um pontinho preto fazia parte do cenário da pele agora. Imagine um copo de leite com uma mosca caída dentro desse líquido? Durante toda sua existência fora branca de sinais e que à medida que saboreava a fruta, símbolo da alimentação dos macacos fazia sentido naquele exato momento. Perdeu a conta de quantas pintas enfeitavam seu corpo.
O que a menina cal não compreendia era o porquê da mãe cor de café quente que também comia banana não possuía pinta alguma. Vai ver é a maldade estampada pela tristeza de seu sorriso. Como, se a vovó rosa bebê e tão delicada e alegre?
A mãe cor de chocolate meio amargo é viúva e desde que o pai da menina translúcida morreu, a vida dela não tinha o colorido do arco-íris.
Embora a mãe petróleo não conseguisse sorrir, era a vovó rosinha que preenchia os espaços vazios brancos não escritos que ainda restavam da pele da criança. Entendia que depois de tanto tempo que esses pinguinhos escuros minúsculos eram lágrimas da mãe. Apenas não queria suportar a idéia que as gotas de carvão da mãe pintasse seu corpo por inteiro. Porque as marcas da menina do branco do olho estão tatuadas para sempre no corpo da menor, dentro do coração.

Afoguem-me, e não falo quem és!
Afoguem-me, e não falo quem és!
Afoguem-me, e não falo quem és!
E sigo neste tempo... tempo que não passa de um tempo! Ele perdido vago pelos cantos da designação do velho comparado ao novo pensamento. E neste instante de tormento, chega o vento levando tudo, tudo que é pensamento.Outro dia ele chega sorrindo misturando-se ao lamento... triste... quase sem cor... transbordando de fitas coloridas com misturas trazidas pelos ventos dos pensamentos.
(Tatyane Diniz) 18/02/08.
(Tatyane Diniz)



PRESSÁGIO 


FLAGELO SECO 

Perdidamente em seus olhos
A luz intensa de te amar.
Eu me perdi...
Perdidamente em seu amor
Colorido de beleza e harmonia.
Eu me perdi...
Perdidamente em seus carinhos
Almejando nos beijos a tua delicadeza.
Eu me perdi...
Perdidamente entre a poesia
Uma fala vida e outra eternidade.
Perdidamente em seus caminhos
Observamos o eclipse sangrando ao sol.

A CADA PASSO
EM TODO COMPASSO.
SEMPRE HÁ UM ATRASO
QUEBRADO NO VASO.
A PINTURA DO AÇO
SOLDADA COM LAÇO,
DE FITA DA MENINA QUE FAÇO.


Na cor pálida de verão uma moça negra, de pele chocolate destacava-se com seus olhos amendoados. Em passos quase que remando ela saia para trabalhar . Trabalho esse meio insignificante , desumano. O seu chefe, chefe não, um homem mesquinha. Era tão rude e grosseiro que sua voz permanecia nítidas na cabeça da moça. Explorava a tanto ... ela trabalhava todos os dias da semana. Apesar de sua beleza física tinha problemas dentro de si mesma.
Nenhum ser humano aguentaria aquele trabalho sórdido , cruel. O que seu chefe queria era explorar aquele ser escuro, quase preto. Tirando-se a última gota de sangue que restava para provar que é igual aos outros também. A vida é que foi um tanto madrasta.
Vamos por partes. Em meio ao desencontro da esquina da vida de seu trabalho ela conhece H.M. Sim essas são as iniciais de seu nome e não disse mais nada, apenas H.M.
Deixando-se sonhar um pouco aquelas iniciais H.M de: homem misterioso, mágico, mentiroso, musculoso, marginal, malvado, maníaco e mascarado. Depois de todo esforço arrebatado era inútil, acabou voltando pra casa e fitou fixamente o cartão que havia recebido dele.
Mas o que o H.M era então? Como posso explicar ... Ele é... É melhor não falar, outro dia te conto!
Uma tarde vi a moça parada esperando sua clientela na rua do meio, falando só. E falando ao vento porque uma mosca insignificante como sua profissão lambia-lhe. Ah, que nojo! A reação dela ao ver aquela mosca asquerosa... sabia por quantas imundices ela havia passado. Mexeu rápido as mãos no intuito de espantar a mosca, mas ela insistia por um afago seu.
De repente ela lembra do dia anterior a esse em que o H.M fez ao se despedir dela. Ele beijou a no canto da boca. Que estranho, tantos lugares para acariciar aquele corpo moreno e a boca da moça era o preferido da mosca.
E de súbito abriu sua bolsa e lembrando do cartão ofertado pelo homem que no verso dele estava escrito:
"Quando uma mosca tocar os seus lábios, serei eu beijando você.
Seu eterno,
H.M".



Vale apena ler os poemas dessa grandes escritora portuguesa... a delicadeza, nostalgia estão presentes em seus versos mas um tanto triste!!!
SAIBA MAIS SOBRE ELA:
Biografia
Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.
Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.
Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos.
Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.
O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.
Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade.
Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.
Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.
Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.
Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em Matosinhos, no Porto.
Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.
No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.
Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.
http://purl.pt/272/2/index.html
http://www.torre.xrs.net/
Coleção “A Obra Prima de Cada Autor” – Editora Martin Claret

Mesmo se tentasse explicar qual o significado da palavra amor jamais se esgotaria... Assim como as gotas do mar revolto.
Ame sem Medo ou Vergonha...
Apaixone – se hoje, amanhã e eternamente

Papéis coloridos



Fábio Jr
Composição: Fábio Jr.
Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estarAh! Ah! Ah!...
Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é maisMuito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...
~~*~~ Pai de Verdade ~~*~~


Ao debruçar-se na cama
Pensamentos vádios,
Passaram e levaram
Acontecimentos alucinantes.
Através do tudo e nada
Percebi vários episódios
Melancólicos e tristes.
Outrora, eu suspirei...
Alguém se aproxima
E fala comigo.
Tentei escrever coisas bonitas,
Tentei beijá-lo como nunca
Tentei abraçá-lo,
Mas nada adiantou
Acordei... Levantei!
E ele não existia mais.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
Marina Colasanti (1938) nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei, mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em amor, Contos de amor rasgados, Aqui entre nós, Intimidade pública, Eu sozinha, Zooilógico, A morada do ser, A nova mulher (que vendeu mais de 100.000 exemplares), Mulher daqui pra frente, O leopardo é um animal delicado, Esse amor de todos nós, Gargantas abertas e os escritos para crianças Uma idéia toda azul e Doze reis e a moça do labirinto de vento. Colabora, também, em revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.Texto extraído do livro “Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento”, Global Editora , Rio de Janeiro, 2000, uma colaboração da amiga Janaina Pietroluongo, da longínqua Oxford.






























